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Retomada das fusões e aquisições no setor de saúde: tendências de 2025

Nos últimos anos, a retomada das fusões e aquisições no setor de saúde tem se consolidado como um dos principais movimentos do mercado brasileiro. Depois do auge em 2021 e da desaceleração entre 2022 e 2023, o setor voltou a aquecer em 2024 e 2025. Dessa vez, entretanto, o modelo não se baseia apenas em expansão horizontal, mas também em verticalização e integração estratégica de operadoras, prestadores e tecnologias.

Entre 2021 e 2022, por exemplo, ocorreram operações marcantes, como a compra da SulAmérica pela Rede D’Or e a fusão NotreDame/Hapvida. Além disso, IPOs de empresas como Mater Dei, Viveo, Oncoclínicas e Dasa demonstraram o apetite do mercado por crescimento.

Em 2024, o Brasil registrou 1.582 operações, número 5% superior ao de 2023, sinalizando um movimento de recuperação. Já em 2025, negociações de grande porte, como a possível aquisição do Fleury pela Rede D’Or, reforçam a ideia de um ciclo renovado de crescimento no setor de saúde.

Por que as aquisições voltaram a crescer?

A retomada das fusões e aquisições no setor de saúde não é casual. Pelo contrário, ela responde a desafios estruturais que pressionam o sistema:

  • O envelhecimento populacional exige mais cuidados e gera maior demanda.

  • O aumento dos custos assistenciais pressiona a sustentabilidade.

  • A fragmentação do sistema dificulta a eficiência operacional.

  • A necessidade de governança e tecnologia cresce constantemente.

Portanto, consolidar empresas permite ganhar escala, reduzir riscos, acessar rapidamente novos nichos de mercado e aproveitar marcas já reconhecidas. Além disso, em períodos de instabilidade, companhias com boa gestão se destacam e se tornam alvos estratégicos, já que oferecem resiliência e potencial de valorização futura.

Benefícios da consolidação no setor de saúde

A retomada das fusões e aquisições no setor de saúde gera benefícios claros. Em primeiro lugar, promove eficiência operacional, reduzindo custos administrativos e logísticos. Em segundo lugar, favorece a integração da jornada do paciente, permitindo protocolos padronizados e uma experiência mais fluida.

Além disso, empresas consolidadas alcançam maior resiliência financeira, com mais capacidade de captar recursos e investir em inovação. Consequentemente, o setor se torna mais competitivo e preparado para enfrentar cenários desafiadores.

Riscos e obstáculos

Contudo, a consolidação também apresenta riscos. O mais evidente é a concentração de mercado, que pode reduzir a concorrência e limitar a escolha dos pacientes.

Além disso, a integração entre empresas costuma ser complexa. Diferenças de cultura organizacional, sistemas e modelos de gestão podem dificultar a sinergia esperada.

Por outro lado, o aspecto regulatório exige atenção. O CADE, por exemplo, vem intensificando a análise de operações verticais. Entre 2012 e 2022, esse tipo de caso passou de 14% para 46% do total avaliado, o que demonstra maior rigor da fiscalização.

O novo modelo: verticalização e parcerias estratégicas

O atual ciclo de M&A não se limita às fusões tradicionais. Pelo contrário, observa-se um crescimento de joint ventures, parcerias operacionais e redes compartilhadas.

Um exemplo é a joint venture entre Dasa e Amil, criada em 2024, que reúne 25 hospitais e 4.400 leitos, somando R$ 9,9 bilhões em receita líquida. Além disso, negociações como a possível compra do Fleury pela Rede D’Or podem criar um ecossistema integrado entre hospitais, laboratórios e grandes operadoras, consolidando um dos maiores grupos de saúde privada do país.

Adicionalmente, a digitalização e o avanço das healthtechs impulsionam esse modelo. Aplicativos, telemedicina e plataformas digitais fortalecem a integração, muitas vezes sem necessidade de aquisições bilionárias.

Conclusão: um ciclo redesenhado

A retomada das fusões e aquisições no setor de saúde em 2024 e 2025 não se resume a grandes negócios. Na verdade, representa uma evolução estratégica. Se antes a prioridade era escala, hoje o foco está na eficiência, sustentabilidade e qualidade da integração.

Portanto, hospitais, operadoras, laboratórios e startups caminham para um modelo mais maduro, no qual o paciente está no centro da estratégia. Assim, os M&A não desapareceram: apenas assumiram uma nova forma, mais inteligente e equilibrada.

Fonte: Saúde Business

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