A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) esclareceu que não há restrição para a realização de mamografia em mulheres com menos de 50 anos.
O anúncio foi feito por Kátia Curci, assessora da agência, durante audiência pública promovida pela Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), em 9 de outubro de 2025.
O encontro teve como foco discutir a importância da mamografia em mulheres com menos de 50 anos, tanto na saúde suplementar quanto no Sistema Único de Saúde (SUS).
De modo geral, os especialistas destacaram que detectar o câncer precocemente salva vidas e reduz significativamente os custos do tratamento.
Diagnóstico precoce salva vidas
O deputado Arlen Santiago (Avante), responsável por propor a audiência, ressaltou que o câncer de mama continua entre as principais causas de morte de mulheres no Brasil.
“Dados de 2022 mostram que o câncer de mama foi responsável por 13 óbitos em cada 100 mil mulheres. O diagnóstico tardio é o grande problema. Por isso, os exames preventivos devem começar cada vez mais cedo”, afirmou.
Além disso, estudos indicam que até 23% das mortes entre mulheres de 40 a 50 anos poderiam ser evitadas com a realização da mamografia preventiva.
Com isso, o diagnóstico precoce não apenas salva vidas, como também gera impacto econômico positivo, representando economia estimada em R$ 100 milhões por ano para o Estado.
ANS reforça: não há restrição à mamografia em mulheres com menos de 50 anos
Durante a audiência, Kátia Curci deixou claro que a ANS não restringe o acesso à mamografia em mulheres com menos de 50 anos.
Segundo ela, a polêmica surgiu após uma interpretação equivocada da Consulta Pública nº 144, que tratava do Programa de Certificação de Boas Práticas em Atenção à Saúde das operadoras de planos privados.
“O texto da consulta recomendava a busca ativa de pacientes entre 50 e 69 anos que ainda não haviam feito o exame. No entanto, isso não significa que mulheres com menos de 50 anos não possam realizá-lo. Inclusive, quando há fatores de risco, o rastreamento pode começar antes dos 40”, explicou.
Dessa forma, a ANS reforçou o compromisso com o acesso igualitário aos exames e a autonomia médica na prescrição da mamografia.
Rede de atenção e desafios no atendimento
O Conselho Regional de Medicina (CRM) e a Associação Médica de Minas Gerais (AMMG) defenderam a necessidade de garantir o cuidado integral das pacientes.
De acordo com o médico Marco Matias, é essencial assegurar não apenas o exame, mas também biópsias, histologia, imunohistoquímica e acompanhamento com mastologistas, oncologistas e radiologistas.
Além disso, o médico Gabriel Silva Júnior, da AMMG, destacou que o Outubro Rosa deve ir além do diagnóstico e incentivar hábitos de vida saudáveis, como alimentação equilibrada e prática de exercícios físicos.
Rastreamento precoce é sinônimo de esperança
A oncologista Aline Chaves, da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), reforçou que investir em rastreamento precoce é oferecer esperança real às pacientes.
“Detectar o câncer em estágio inicial pode evitar até mesmo a necessidade de quimioterapia”, afirmou.
Assim, o diagnóstico precoce representa mais qualidade de vida e menores impactos físicos e emocionais para as mulheres.
Qualidade dos equipamentos e novos investimentos
Outro ponto importante debatido foi a qualidade dos mamógrafos e a segurança dos profissionais que realizam os exames.
O presidente do Conselho Regional de Técnicos em Radiologia, Leandro Marcelo Prado, informou que apenas 3% dos mamógrafos do Brasil possuem certificação.
Por isso, ele defendeu programas permanentes de controle de qualidade e capacitação técnica para os profissionais que operam os equipamentos.
Em complemento, Fernanda Vilarino Jorge, representante da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais, apresentou avanços relevantes:
Chegada de 64 novos mamógrafos em diferentes regiões do Estado;
Implementação do programa “Cuidar na Hora Certa”, que acompanha a jornada da mulher desde o exame até o tratamento;
Criação do profissional integrador, responsável por acompanhar o processo entre a mamografia e a biópsia.
Essas ações, segundo ela, fortalecem o cuidado contínuo e humanizado à mulher mineira.
A importância da mamografia em mulheres com menos de 50 anos
A posição da ANS reforça uma mensagem essencial: a mamografia em mulheres com menos de 50 anos é segura, necessária e deve ser feita com orientação médica.
Dessa forma, o rastreamento precoce amplia as chances de cura e reduz as taxas de mortalidade por câncer de mama.
Por isso, durante o Outubro Rosa, é fundamental que mulheres de todas as idades falem com seus médicos, realizem seus exames preventivos e mantenham os cuidados com a saúde em dia.



