O Outubro Rosa é uma das campanhas de saúde mais conhecidas do mundo, criada para alertar sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama.
Com o tempo, esse movimento se expandiu e passou a representar o cuidado integral com a saúde da mulher.
Hoje, uma das discussões mais importantes do Outubro Rosa é sobre o câncer de colo do útero, que está entre os quatro tipos mais incidentes em mulheres no Brasil. A boa notícia é que ele pode ser prevenido de forma simples: com a vacinação contra o HPV.
HPV e câncer de colo do útero: qual é a relação?
O HPV (papilomavírus humano) é um grupo com mais de 200 tipos de vírus diferentes. Transmitido principalmente pelo contato direto entre pele e mucosas, especialmente nas relações sexuais, ele já infectou cerca de 80% da população mundial em algum momento da vida.
Na maioria dos casos, o sistema imunológico elimina o vírus naturalmente, sem causar sintomas. Porém, cerca de dez subtipos do HPV merecem atenção especial, pois podem causar infecções persistentes e favorecer o desenvolvimento de lesões cancerígenas.
Entre eles, os tipos 16 e 18 são responsáveis por aproximadamente 70% dos casos de câncer de colo do útero.
A ginecologista Luciana Nicastro, do Hospital e Maternidade Sepaco, explica que esses vírus podem provocar mutações genéticas nas células do colo uterino. “Essas alterações estimulam a proliferação desordenada das células, o que pode levar à formação de um tumor”, diz.
O presidente da Comissão Nacional Especializada em Ginecologia Oncológica da Febrasgo, Dr. Eduardo Batista Cândido, complementa:
“Ao prevenir a infecção, estamos atuando diretamente para evitar o desenvolvimento de lesões que podem evoluir para um câncer invasivo, uma doença grave e com alto potencial de mortalidade.”
Além do câncer de colo do útero, o HPV também pode causar câncer de ânus, vulva, vagina, pênis e orofaringe (garganta, base da língua e amígdalas), além de verrugas genitais que afetam a vida social e sexual.
Como se prevenir do HPV
A vacina é a forma mais eficaz de prevenção, pois oferece proteção elevada contra os principais tipos do vírus que causam câncer e verrugas genitais.
Atualmente, o imunizante está disponível gratuitamente em dose única para crianças e adolescentes de 9 a 14 anos, e para públicos específicos acima dessa faixa.
Até dezembro de 2025, o Ministério da Saúde ampliou a imunização para jovens de 15 a 19 anos, com o objetivo de aumentar a cobertura vacinal.
Em 2024, 82% das meninas até 14 anos e 67% dos meninos foram vacinados no Brasil, um avanço importante, mas que ainda pode crescer.
A ginecologista Ana Paula Beck, do Hospital Israelita Albert Einstein, reforça que essa faixa etária é a mais indicada porque o corpo responde melhor à vacina e porque a proteção é mais eficaz antes do início da vida sexual.
Mas quem já teve contato com o vírus também pode se beneficiar. “Mesmo quem já iniciou a vida sexual deve se vacinar, pois o imunizante ainda protege contra outros subtipos de HPV”, explica o Dr. Cândido.
De acordo com a médica Maria dos Anjos Neves Sampaio Chaves, do Delboni Salomão Zoppi, a vacinação pode ser indicada até para pessoas acima dos 45 anos, dependendo da história clínica e sexual de cada mulher.
Exames que salvam vidas
Além da vacina, a prevenção secundária é essencial.
O exame Papanicolau continua sendo um grande aliado: ele detecta alterações nas células do colo do útero antes que evoluam para um câncer.
Quando essas alterações são identificadas e tratadas precocemente, é possível prevenir até 100% dos casos.
Outro exame importante é o teste DNA HPV, que identifica a presença do material genético do vírus e o seu subtipo.
Se o resultado indicar um tipo de alto risco, o médico pode acompanhar de perto e agir antes que a infecção se torne um tumor.
Desde 2024, esse exame começou a ser oferecido pelo SUS e, aos poucos, deve substituir o Papanicolau na rede pública.
Outras formas de prevenção
O uso de preservativo nas relações sexuais também é uma medida importante.
Embora não elimine totalmente o risco de transmissão, já que o vírus pode estar em áreas não cobertas, reduz significativamente as chances de contágio.
Além disso, manter o sistema imunológico fortalecido com boa alimentação, sono adequado, exercícios físicos e acompanhamento médico regular também contribui para a prevenção.
O Outubro Rosa é mais do que um lembrete sobre o câncer de mama é um convite para olhar com atenção para todas as dimensões da saúde feminina.
Prevenir o HPV é proteger a si mesma e quem você ama, garantindo um futuro mais saudável e livre de doenças que podem ser evitadas com atitudes simples.
Fonte: VIVA BEM



