Relato expõe falhas no atendimento hospitalar e reacende debate sobre responsabilidade das operadoras de planos de saúde
Um caso ocorrido em Fortaleza (CE) tem chamado atenção para as dificuldades enfrentadas por beneficiários de planos de saúde durante internações hospitalares.
A filha de um paciente de 78 anos denunciou falhas na administração de medicamentos e atrasos em doses de antibióticos durante o tratamento do pai, internado na rede Hapvida após diagnóstico de pneumonia.
O caso
Segundo o relato de Juliana Araújo, seu pai, Raimundo Maciel, foi internado no dia 30 de outubro por fibrilação atrial, e posteriormente diagnosticado com pneumonia. Após alguns dias na UTI, ele foi transferido para o Hospital Santa Maria, da mesma rede.
A filha afirma que os problemas começaram quando percebeu que o antibiótico prescrito não estava sendo administrado nos horários corretos. Segundo ela, o medicamento previsto para ser dado às 10h da manhã só foi aplicado por volta de 12h20.
O atraso se repetiu nas doses seguintes, além de falhas na entrega de outros medicamentos de uso contínuo.
Juliana também relatou dificuldade em obter informações dos profissionais de saúde e ausência de médicos de plantão em determinados momentos. “Meu pai passou uma noite sem tomar o remédio que afina o sangue, que ele usa todos os dias”, disse.
Após sucessivas trocas de antibióticos e mudanças de conduta médica, a filha decidiu procurar a imprensa para relatar o caso, destacando a falta de comunicação e de transparência no atendimento.
Posição do hospital
Em nota enviada à imprensa, o Hospital Santa Maria afirmou que todos os procedimentos necessários à recuperação do paciente estão sendo realizados e que o quadro clínico de Raimundo é estável.
A unidade reforçou que mantém equipes médicas e de enfermagem em plantão contínuo, seguindo protocolos de qualidade assistencial, e que a Diretoria de Acolhimento está em contato constante com a família, oferecendo orientações e suporte.
“A unidade conta, de maneira ininterrupta, com equipes médicas e de enfermagem de plantão, seguindo protocolos rigorosos de qualidade assistencial, sempre pautado pelo respeito à vida e pela ética”, informou a instituição.
Direito à assistência adequada
Casos como este reacendem a discussão sobre o dever das operadoras de planos de saúde em garantir atendimento eficiente e seguro, especialmente em situações de internação.
A demora na administração de medicamentos, a falta de informações e a ausência de acompanhamento médico contínuo podem caracterizar falha na prestação de serviço, passível de questionamento judicial.
O direito à saúde é um direito fundamental e está previsto no artigo 6º da Constituição Federal e no Código de Defesa do Consumidor, que asseguram ao paciente informação clara, atendimento digno e eficaz.
Fonte: O Povo



